sábado, 27 de dezembro de 2025

Semana entre o Natal e o Ano Novo

..tentando não me desesperar com a cobrança interna e com a tristeza que me invade nessa época do ano, comecei a ler 'Drácula', livro que ganhei da Raquel/Ricardo.
Um pouco acima das minhas expectativas: o formato epistolar, como 'Frankenstein' não cansa, e as várias linhas de ação estão bem costuradas. 
Também comecei a ler um ensaio sobre Eliot, do Northrop Frye, mas é mais árduo que que eu esperava.
E,claro, não canso de (re)ler Pessoa. Ontem, um trecho sobre o Outono, que quero decorar inteiro se possível.

sábado, 20 de setembro de 2025

sobre a velhice

Diz Ricardo Reis, heterônimo de Pessoa, mas suas Odes, que 
'a velhice os Deuses concederam, e não precisamos sofrer 'de Saturno' por isso, vale dizer, entrar num estado de melancolia profunda, introspecção e tristeza...
Diz que a velhice deve ser o templo onde sejamos deuses, ainda que para aí mesmos, pois " nem precisam de crentes os que de si o foram "

sexta-feira, 8 de agosto de 2025

Cansaço


Trabalho e Cansaço


Acordo no meio da madrugada e quase que automaticamente penso nos prazos estourando e na (im)possibilidade de cumprir as metas, seja por cansaço ou falta de método.

No jornal uma reportagem sobre a (utópica.?) separação entre vida pessoal e trabalho parece um conto de ficção. Ultimamente não consigo 'desligar', e as lições todas de Domenico De Masi - aliás falecido nesta semana, me parecem impraticáveis.

Sim, bem sei que o problema não é o trabalho. Enquanto não resolver certas 'questões' o corpo vai reclamar. Enquanto não decidir como e com o que viver, o que e com quem repartir, não estarei vivo. O que fazer.?

quinta-feira, 3 de julho de 2025

Sobre profissão..

Talvez o meu destino seja eternamente ser guarda-livros, e a poesia ou a literatura sejam uma borboleta que, pousando-me na cabeça, me torne tanto mais ridículo quanto maior for a sua própria beleza.
(Fernando Pessoa, Livro do Desassossego)

sexta-feira, 26 de julho de 2024

À maneira de Pessoa

 



O que tenho é cansaço e o desassossego. Receio íntimo dos gestos a esboçar, uma timidez intelectual das palavras a dizer.

Tudo me parece antecipadamente inútil. O insuportável tédio de todas estas caras, inteligentes ou totalmente sem, grotescas até a náusea de tão felizes ou infelizes, uma maré separada de coisas vivas que me são alheias. 

Não há pior solidão do que a de não ter com quem dividir a vida.


domingo, 24 de setembro de 2023

Lendo antes que acabe...

Nestes dias estou lendo (ou tentando ler) mais de um livro ao mesmo tempo: "Encaixotando minha biblioteca",do Alberto Manguel, "Avenida Paulista", do João Pereira Coutinho, e "Os Anéis de Saturno" de W.G. Sebald.

O primeiro é uma declaração de amor às biblioteca públicas e ao livros, com frases lapidares como "Minha memória está menos interessada em mim do que nos meus livros: é mais fácil recordar-me de uma história lida uma só vez, há muito tempo, do que daquele jovem que a lia". Este livro merece 'in totum' a frase atribuída a Faulkner: "O que a literatura faz é o mesmo que acender um fósforo no campo no meio da noite. Um fósforo não ilumina quase nada, mas nos permite ver quanta escuridão existe ao redor".

O segundo traz crônicas deliciosas escritas em 2006/2007, que ainda soam atuais hoje, sobre Woody Allen, sobre o Onze de Setembro e sobre a fama 'automática' e vazia dos nossos tempos. Já escrevia ele, em 2006, que "a cultura do ruído surgiu e instalou-se, precisamente, para esconder a vacuidade das pessoas. Para esconder, no fundo, como os seres humanos se tornaram desinteressantes. Nada para dizer. Nada para escutar".

O terceiro traz reminiscências do autor.sobre a Inglaterra que já foi uma potência e sobre a passagem do tempo que destrói irremediavelmente o mundo como o conhecemos, e deixa um prêmio de consolação que é a memória, pra derrotar a realidade.

Coutinho é um observador feroz do nosso Brasil, e Manguel passa da raiva pela perda à aceitação, nos ensinando, como Chesterton, que se vale a pena fazer alguma coisa, então vale a pena fazê-la mal. Sebald ensina: a futilidade da existência é parcialmente apagada pela grandeza e pela a habilidade de nossa imaginação.

 

quinta-feira, 7 de setembro de 2023

 Um poema e tanto.


Next, please

 

Always too eager for the future, we

Pick up bad habits of expectancy.

Something is always approaching; every day

Till then we say,

 

Watching from a bluff the tiny, clear,

Sparkling armada of promises draw near.

How slow they are! And how much time they waste,

Refusing to make haste!

 

Yet still they leave us holding wretched stalks

Of disappointment, for, though nothing balks

Each big approach, leaning with brasswork prinked,

Each rope distinct,

 

Flagged, and the figurehead with golden tits

Arching out way, it never anchors; it’s

No sooner present than it turns to past.

Right to the last

 

We think each one will heave to and unload

All good into our lives, all we are owed

For waiting so devoutly and so long.

But we are wrong:

 

Only one ship is seeking us, a black –

Sailed unfamiliar, towing at her back

A huge and birdless silence. In her wake

No waters breed or break.

 

16 January 1951

 

In: “The Less Deceived” (1955)

 

Barco verde e pássaro

(Helga Balaban: artista búlgara)

 

O próximo, por favor

 

Sempre ansiosos demais quanto ao futuro,

Adquirimos maus hábitos acerca das expectativas.

Algo sempre está a se aproximar; a cada dia

Dizemos até então,

 

Observando de um rochedo a diminuta, nítida

E cintilante armada de promessas que se aproxima.

Quão lentas são elas! E quanto tempo perdem,

Recusando-se a se apressar!

 

No entanto, ainda nos deixam a segurar amargas hastes

De decepção, pois, embora nada se oponha a cada

Grande aproximação, adernado com brônzeos arreios,

Cada amarrilho em particular,

 

Com seu pendão, e a carranca com tetas douradas,

Arqueando-se para fora, jamais ancoram;

Tão logo presentes, já se tornaram passado.

Até o último momento,

 

Cremos que vão aportar e descarregar tudo de bom

Em nossas vidas, tudo aquilo que se nos deve

Por esperarmos com tanta devoção e por tanto tempo.

Mas estamos equivocados:

 

Apenas um navio está a nossa procura, um negro –

Pouco versado em navegar, trazendo a reboque

Um silêncio imenso e sem pássaros. Em seu curso,

Não se produzem nem se rompem vagas.

 

Referência:

 

LARKIN, Philip. Next, please. In: __________. Collected poems. Edited with na introduction by Anthony Thwaite. First American printing. New York, NY: Farrar, Straus and Giroux; The Marvell Press, 1989. p. 52.